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Felipe Daneris

Escritor do Blog

Viajante nas horas vagas

Guia de Viagem: Do Brasil ao Chile de Carro – Roteiro, Custos e Dicas de Imigração

Atualizado: 23 de jan.

SUV branco a circular em estrada sinuosa na Cordilheira dos Andes entre Argentina e Chile

Sair do Rio Grande do Sul e chegar ao Oceano Pacífico de carro é o sonho de muitos viajantes. Percorremos Argentina, Chile e Uruguai em uma jornada de 14 dias com muitos vinhos pelo caminho, estradas desafiadoras e sem neve, pois a viagem foi no verão.


Partimos mais precisamente de Passo Fundo, RS e nosso destino final era Valparaíso (Chile), onde passamos o Reveillón.


1. Antes de ligar o carro do brasil ao chile de carro


Essa é uma viagem longa e com mais de 5.000km, saindo do estado do RS, então se você não tem o hábito de fazer as revisões regulares no seu veículo, é muito importante levar no mecânico para: do brasil ao chile de carro


  • Trocar óleo e filtro de óleo

  • Conferir velas

  • Discos e pastilhas de freio

  • Fluido de freio

  • Qualidade do líquido de arrefecimento


Opte por ir com pneus pelo menos com a vida útil pela metade ou melhores.


Também não esqueça dos itens obrigatórios (que vou comentar no post) na Argentina/Chile como:


  • Extintor de incêndio

  • Cambão

  • Kit de primeiros socorros

  • Colete reflexivo

  • Correntes para pneus.


Faça o Seguro Carta Verde e lembre-se que esse seguro não vale no Chile, então você precisará fazer também o SOAPEX  (irei falar sobre ele neste post) que serve somente para o Chile.


2. Iniciando a Viagem de Carro para o Chile. O Roteiro Estratégico


Carro em dia, malas prontas, documentação e itens obrigatórios ok, é hora de colocar o pé na estrada! Então, acompanhe a jornada abaixo e saiba o que te espera nessa viagem sensacional com destino final na cidade de Valparaíso, no Chile.


  • Parada 1: Bagé-RS (Brasil): Indo em direção ao Pampa Gaúcho.


Começamos a jornada rodando cerca de 516km no primeiro dia e parando na cidade de Bagé/RS, que fica na próxima da divisa com o Uruguai.


mapa do roteiro do brasil ao chile de carro
Roteiro de Passo Fundo até Bagé - RS

Esse é um trajeto sem pedágios, com uma razoável oferta de postos de gasolina, e também lugares para fazer uma parada e esticar as pernas até a cidade de Santa Maria - RS (que fica na metade do caminho).

O trecho Julio de Castilhos > Santa Maria está em condições não muito boas, então caso você pense em não fazer esse mesmo trajeto, pode ser uma boa opção sair por Soledade - RS, ir até cidade de Candelária - RS e depois sim passar por Santa Maria - RS.


Parando em Santa Maria, já encha o tanque do carro, pois a gasolina em Bagé é uma das mais caras do estado do RS, chegando a ficar cerca de R$1,00 por litro mais cara se comparada a outras cidades.


O trecho entre Santa Maria e Bagé atravessa o coração do Pampa Gaúcho. É uma estrada de retas longas e vários pontos com horizonte aberto, com uma paisagem minimalista e vasta, típica dos campos sul-americanos, onde a linha do horizonte parece infinita em muitos momentos.


Chegando na cidade de Bagé, paramos por cerca de 3 dias e aproveitei para visitar alguns amigos e familiares. Mas se não for o seu caso, recomendo mesmo assim parar em Bagé. Se não estiver muito cansado e sentir que dá para rodar mais, outra opção é seguir até Santana do Livramento que fica 161km à frente e dormir por lá.


  • Parada 2: Santa Fé (Argentina) O dia de entrar na Argentina e seguir viagem pela Ruta 14.

mapa do roteiro do brasil ao chile de carro
Roteiro de Bagé - RS até Santa Fé (Argentina)

Logo cedo, pegamos a BR 290 e partimos em direção à Uruguaiana-RS. Neste dia, iríamos rodar cerca de 838km até Santa Fé (AR).


A viagem começou no início da manhã, chegamos em Uruguaiana para almoçar e também para uma nova abastecida (última com gasolina brasileira).



Em Uruguaiana, lembrei que tinha esquecido de imprimir o documento do meu veículo e só tinha a versão digital. Então, para evitar contra tempos e como já tinha ouvido falar que a polícia argentina poderia complicar com alguma coisa, resolvi ir até uma gráfica e imprimir o documento do carro e as apólices do seguro viagem.


Almoço concluído, carro abastecido e documentos impressos, partimos então para a imigração na divida do Brasil com a Argentina, que ficava próxima de onde estávamos.


Imigração em Uruguaiana - RS
Imigração em Uruguaiana - RS

A imigração fica na divisa dos municípios de Uruguaiana x Paso de Los Libres (AR) e é dividida em 2 setores.


Setor 1 - Local onde ficam os guichês com os agentes de imigração da Argentina. Lá, você para o seu carro (sem a necessidade de descer) e entrega a sua identidade/rg (com validade de até 10 anos da data de emissão) ou Passaporte e o agente irá fazer o registro da sua entrada no país.


Fomos muito bem atendidos por uma senhora bem humorada que em cerca de 4 a 5 minutos realizou o registro de nossa entrada na Argentina. Feito isso, nos dirigimos para o outro setor.


Setor 2 - Com seu RG ou Passaporte em mãos, você segue com o seu veículo até a próxima área onde ficam os fiscais, que foram bem menos simpáticos do que a senhora que nos atendeu primeiramente.


Eles pediram o CRLV (documento do veículo) e também o Seguro Carta Verde. Nessa hora, fica mais prático você ter esses documentos impressos, pois facilita a sua vida e também a dos fiscais.


Depois de entregar o documento, pediram se transportávamos legumes, frutas e quantas pessoas estavam viajando.


Achei que fossem pedir para abrir o porta malas como da outra vez que entrei de carro na Argentina, mas dessa vez não foi necessário e simplesmente nos liberaram após verificarem o CRLV e o Seguro Carta Verde.


Saindo do "Setor 2", já estávamos oficialmente em solo argentino para poder seguir viagem até a cidade de Santa Fé.


Logo na saída da imigração, possivelmente você irá encontrar alguns argentinos, na rua que dá acesso à Ponte Internacional, "balançando" pesos argentinos para lhe chamar atenção e irão querer que você troque com eles.


Como já tínhamos comprado pesos argentinos ainda em Passo Fundo, passamos reto, não trocamos, e também achei um tanto estranha essa abordagem, apesar de já ouvir algumas pessoas falarem que dá para trocar tranquilamente com eles. Mas por via das dúvidas, não indico.


Após passar pela Ponte Internacional Brasil - Argentina, entramos em Paso de Los Libres e seguimos por mais 427km pela Ruta 14 e Ruta 127 até Santa Fé.


Saída do Brasil pela Ponte Internacional Brasil - Argentina
Saída do Brasil pela Ponte Internacional Brasil - Argentina

Esse trecho tem muitas retas e também é duplicado, então a viagem acaba rendendo mais na Ruta 14.

Ruta 14

Quando você chegar no Km 406 da Ruta 14, terá que seguir reto e automaticamente você entrará na Ruta 127, que é o trecho mais monótono da viagem com 350km pela frente até chegar na cidade de Santa Fé.


É monótono, pois a pista não é duplicada e tem pouca civilização pelo caminho, exceto algumas pequenas cidades.


Então, antes de sair da Ruta 14 para a Ruta 127, abasteça aqui neste YPF!


Ruta 127
Ruta 127

Finalmente, depois de rodar 351 km, você chega na cidade de Paraná, que faz divisa com Santa Fé.


Primeiro pedágio em solo argentino
Primeiro pedágio em solo argentino

Para entrar em Santa Fé, além de pagar o primeiro pedágio em solo argentino, você irá passar pelo Túnel Subfluvial Raúl Uranga-Carlos Sylvestre Begnis que foi inaugurado ainda no ano de 1969.




Finalmente, depois de praticamente 850km rodados em um dia, chegamos no Cólon Hotel.


E, para a nossa surpresa, é um hotel que tem o hábito de hospedar algumas figuras ilustres. Lá, já se hospedaram atletas como Lionel Messi, Carlitos Teves, Moisés Caicedo, entre outros.


O hotel tinha uma cama tamanho King Size realmente grande (a maior que já vi). Deve ser o King Size tamanho Argentino. Se alguém souber se existe alguma diferença nos padrões, escreve aí nos comentários!



Largamos as coisas no hotel (que fica um pouco fora do centro da cidade) e fomos até o Sumatra Restó (no centro) para jantar.


  • Parada 3: Mendoza (Argentina) A Terra do Sol e do Bom Vinho: O dia de rodar mais 900km até chegar na famosa terra das Bodegas (Vinícolas).


mapa do roteiro do brasil ao chile de carro

Era Véspera de Natal e tínhamos 900km pela frente, então tomamos o café da manhã do Hotel Cólon e pegamos novamente a estrada, saindo em torno das 7:30 e parando na cidade de Rio Cuarto para almoçar.


Aviso importante: O primeiro pedágio saindo de Santa Fé não aceita cartão e custa 1.000 pesos argentinos. Então lembre-se de levar dinheiro em espécie para este pedágio que em nossa viagem, foi o único que não aceitava "tarjeta".


Pedágio saindo de Santa Fé (AR)
Pedágio saindo de Santa Fé (AR)

Até Rio Cuarto, você irá passar por mais 1 pedágio que vai lhe custar mais 1.300 pesos argentinos.


Chegando em Rio Cuarto, encontramos um restaurante/pizzaria chamada Il Milano que estava bem avaliado no Google Maps, então decidimos almoçar lá e comer uma pizza para experimentar. Acertamos na escolha, pois o atendimento era bom, o preço ok e a pizza era saborosa, apesar de não ser das melhores que já comi, valeu muito a pena.


E adivinha o que eu fiz depois de almoçar? Fui abastecer o veículo novamente, coisa já muito normal nessa viagem.


Carro abastecido com gasolina Super, e o litro custando 1.824 pesos argentinos desta vez, calibrei os pneus e seguimos viagem.


Atenção: Em alguns postos da Argentina, você precisa pagar cerca de 100 pesos para calibrar os pneus.


Eles te dão uma ficha e você coloca dentro da máquina para depois sim calibrar.



A Ruta 30 que segue até Mendoza não é duplicada, mas é boa de andar e tem pouco movimento. A paisagem é bonita e você já começa a enxergar as montanhas que fazem parte da Cordilheira dos Andes.


Nesse trecho, também há um pedágio bem aleatório, que parece estar abandonado, mas não está e irá lhe custar 1.000 pesos argentinos.


Pedágio El Portezuelo
Pedágio El Portezuelo

Já na Ruta 20 (Km 79) existe um posto YPF Full e recomendo que você dê uma parada para esticar as pernas e tomar um café, pois o lugar conta com uma loja de conveniência bem bacana e banheiros limpos.


Aqui, dependendo do nível do seu tanque da gasolina, até nem precisa abastecer. Mas isso vai de você saber quanta autonomia ainda tem até chegar em Mendoza, pois lá dá para encontar postos com a gasolina um pouco mais barata do que na rodovia.


Posto YPF Full, em La Toma

Seguimos viagem por aproximadamente mais 350km pela Ruta 7 para finalmente chegar em Mendoza!


Ficamos hospedados bem no centro, perto da Plaza Chile. Um apart hotel com preço bem acessível e quarto grande com sacada e mesa com cadeiras.




Apesar de ter chegado na terra do vinho, fui até o posto de gasolina que ficava ao lado do Hotel e peguei uma Quilmes para brindar a chegada e descansar um pouco até começarmos a nos preparar para a ceia de natal em um restaurante que ficava a 3 quadras do nosso hotel.


Eu, no hotel em Mendoza, bebendo uma Quilmes depois de 900km de estrada percorridos naquele dia.
Eu, no hotel em Mendoza, bebendo uma Quilmes depois de 900km de estrada percorridos naquele dia.

  • Ceia de Natal em Mendoza


Queríamos fazer a ceia de natal em Mendoza e encontramos um restaurante muito bom chamado Francesco Ristorante.


Compramos atecipadamente, ainda no Brasil, e no dia fomos servidos com entradas, prato principal e sobremesa. Além disso, o menu dava direito a 2 vinhos da região para acompanhar os pratos e 1 espumante para harmonizar com a sobremesa.


A comida estava excelente e o lugar também. O dia estava quente e ficamos na área externa do restaurante. Foi uma experiência sensacional.


  • Tupungato

Mirador de Letras Gigantes de Tupungato
Mirador de Letras Gigantes de Tupungato

Na manhã de Natal, acordamos mais tarde, tomamos café no hotel e dirigimos até o Mirador de Letras Gigantes de Tupungato. Até chegar lá, passamos por várias paisagens andinas deslumbrantes. Chegando no mirador, você consegue visualizar o imponente Vulcão Tupungato que fica em um dos picos mais altos da Cordilheira dos Andes.



Bem perto dali, também é possível visitar o Cristo Rey Del Valle de Tupungato, onde a estrada de acesso não é asfaltada, mas vale a pena em função da visão 360 graus que você vai ter do local e também do monumento do Cristo, é claro.


 Cristo Rey Del Valle de Tupungato
 Cristo Rey Del Valle de Tupungato

Voltamos para o centro da cidade onde ficava nosso hotel e resolvemos almoçar pelo centro. Porém como era Natal, praticamente TUDO estava fechado, exceto os postos de gasolina.


Os argentinos levam muito a sério o feriado de Natal e realmente neste dia é uma missão quase impossível encontrar um restaurante aberto ao meio dia, e já sabendo disso através das dicas da recepção do hotel, resolvemos dar uma caminhada pelo Paseo Peatonal Sarmiento, um famoso calçadão para pedestres no centro de Mendoza, conhecido por suas árvores, cafés, restaurantes, lojas e vida urbana, conectando a Plaza Independencia à Avenida San Martín.


Calçadão Sarmiento
Calçadão Sarmiento

Encontramos apenas 2 restaurantes abertos e almoçamos em um deles.


À tarde, andamos a pé mesmo para explorar as ruas do centro e no final do dia fomos de carro até o Cerro de La Gloria, passando pelo Parque General San Mártin, que diga-se de passagem, é um excelente lugar para ir e relaxar.


Parque General San Martín
Parque General San Martín

Gostaria muito que a minha cidade tivesse um parque desses, pois simplesmente é um lugar muito bacana para ir e curtir o dia.


À noite, já havia uma variedade bem maior de estabelecimentos abertos e acabei saboreando um bife de chorizo, que é um prato clássico da Argentina juntamente com uma cerveja local



  • Visitação na Bodega Chadon


No dia depois do Natal, fizemos visitação em 2 bogedas e uma delas foi a famosa Chandon que dispensa comentários.



Após sair da Chandon, tínhamos um almoço harmonizado com vinhos na bodega Las Guapas. Uma bodega menor, mas com um atendimento, um almoço e vinhos merecem elogios.


  • Mercado Central


No final da tarde, aproveitamos para ir no Mercado Central, que é um mercado tradicional e histórico no centro de Mendoza, ideal para conhecer a cultura local e a gastronomia, oferecendo uma variedade de produtos frescos (carnes, frutas, queijos), vinhos regionais, embutidos, azeites, doces, artesanato, além de uma praça de alimentação com comida típica e parrilla, sendo uma boa opção de passeio para compras e para sentir o dia a dia dos mendozinos.


  • Parada 4: Santiago (Chile): Entrando no Chile e atravessando a Cordilheira dos Andes de Carro. Um lugar realmente surreal!


mapa do roteiro do brasil ao chile de carro

Dia de encher o tanque e ir em direção à Santiago no Chile.


É sério, eu realmente me arrepio só de lembrar desse lugar e posso dizer que é a rodovia mais linda que já passei.


Você sai de Mendonza e cerca de 70km depois já dá de cara com o Lago Potrerillos e sua linda água azul turquesa.


Pare por lá, estique as pernas e admire a paisagem!


Nessa região, tem mais um posto YPF, caso você precise ir ao banheiro, comer algo e até abastecer.


Seguindo viagem, você começa a passar por alguns túneis que foram escavados dentro das montanhas e a paisagem começa a ficar linda demais. São montanhas gigantescas com uma estrada no meio, que faz o lugar ficar lindo e perigoso ao mesmo tempo, em função da quantidade de curvas, mas lhe garanto que a paisagem vale cada quilômetro rodado, mesmo no verão e sem neve na maioria das montanhas.


Eles simplesmente "rasgaram" a Cordilheira Dos Andes e fizeram uma estrada no meio.


  • Puente Del Inca


Puente Del Inca
Puente Del Inca

A Puente del Inca é uma impressionante ponte natural na Argentina, formada por rochas coloridas e águas termais, que é um marco geológico e turístico, com ruínas de um antigo hotel que foi destruído na década de 1960, sendo um ponto de parada.


Aqui, vão ter "guardadores de carros credenciados" usando um colete e vão te cobrar uma taxa para deixar o carro estacionado. Não tem um valor fixo e você paga o que achar justo. E para utilizar os banheiros, o sistema é o mesmo. Você paga um valor em pesos argentinos.


Há lugares para comer e/ou tomar um café. Acabamos almoçando por aqui e achei o preço Ok.


  • Mirante do Aconcágua


126 km à frente, a próxima parada obrigatória é o Mirador do Aconcágua, onde você consegue visualizar a montanha do Aconcágua, que atinge uma altura de 6.961 metros, sendo a maior montanha da América do Sul.


No mirador, você estaciona o carro e pode caminhar cerca de 100 metros até o primeiro ponto para já ter uma visão muito interessante do Aconcágua. E caso queira ir mais além, eles dispõem de algumas trilhas mais longas que você também pode fazer. Informe-se na recepção, que também conta com banheiros.


Como fazer trilhas não era o foco da nossa viagem, seguimos em frente em direção à divisa da Argentina com o Chile.


  • Túnel Cristo Redentor


Entrada do Túnel Cristo Redentor na divisa do Chile e Argentina
Entrada do Túnel Cristo Redentor na divisa do Chile e Argentina

Este impressionante túnel foi escavado direto nas pedras e fica exatamente na divisa entre Argentina e Chile. Ele tem uma extensão de 3,08km e você literalmente passa por dentro da montanha. Quando sai do túnel já está em território chileno, e a próxima parada é a aduana.

3. Chegada na Aduana e Imigração do Chile (como funciona)



Antes mesmo de iniciar a viagem, já tinha ouvido falar que a imigração no Chile era bem chata e demorada, então já fomos sabendo que poderíamos demorar horas lá dentro do pavilhão onde o processo ocorre.


Dica: Faça a declaração juramentada online 24 horas antes de passar na imigração. Isso vai agilizar o processo lá dentro. E caso você não tenha feito com antecedência, de qualquer forma terá que fazer na hora que chegar na aduana.


Chegando na imigração, você estaciona o carro em um local indicado pelos agentes e vai até algum guichê, portando o seu passaporte.


Com seu passaporte em mãos, o agente de imigração irá fazer as verificações no sistema e em seguida lhe entregará um formulário para que você preencha as informações do veículo. Se você tiver uma caneta, agiliza o processo. Mas caso não tenha, eles emprestam para você.


Com o documento do carro preenchido, um fiscal agropecuário começará a fazer a inspeção no veículo que se resume em:


  • Perguntar se você está transportando algum tipo de fruta ou legume;

  • Olhar o interior do veículo;

  • Pedir para você abrir o porta-malas e retirar toda a bagagem;

  • Pedir para que você abra as bagagens para que ele verifique se existe algum item com entrada proibida no Chile;

  • Passar com o cão farejador próximo às suas bagagens;


Se tudo estiver Ok, virá depois o agente da PDI (Policia de Investigaciones de Chile), fará algumas perguntas sobre o motivo da viagem, quando você volta e se está portando objetos que possivelmente possam ultrapassar o valor da cota permitida de compras para entrada no país.


Um detalhe importante é que caso você esteja levando algum equipamento eletrônico como notebook, câmeras fotográficas ou drone, por exemplo, é importante portar sempre a nota fiscal original do produto para evitar possíveis interpretações erradas por parte da fiscalização.


Depois disso, você receberá um recibo da PDI contendo as informações imigratórias. Não perca este recibo, pois o hotel que você se hospedar no Chile poderá lhe pedir junto com o passaporte.


No total, levamos em torno de 1 hora e meia até processo acabar e eles nos liberarem, que segundo um viajante Argentino que conheci lá mesmo na aduana, foi consideravelmente rápido.


  • Los Caracoles



Depois de sair do demorado processo da aduana você já vai entrar em Los Caracoles que é considerada uma das estradas mais bonitas e perigosas da América do Sul. São mais de 30 curvas na Ruta 60, onde mais uma vez, você precisa dividir sua atenção entre a estrada e a paisagem sensacional do local. Aqui, também recomendo muito parar o carro, tirar umas fotos e apreciar um pouco antes de seguir em frente.


Depois de toda a paisagem deslumbrante e montanhas simplesmente monstruosas em nosso caminho, chegamos no Hotel em Santiago já no final da tarde.


Após largar as malas no hotel e descansar um pouco, aproveitamos para dar uma volta de carro pelo centro da cidade e resolvemos ir até o Parque Arauco, que é um shopping gigantesco e tem uma proposta de áreas fechadas e abertas. Um lugar muito bacana e com tudo o que um shopping pode oferecer. Aproveitamos para jantar por lá.


Comi um Hambuguer e desembolsei cerca de 15.000 pesos chilenos. A média dos preços dos hambúrgueres fica na faixa de 12.000 a 20.000 pesos chilenos.


Shopping Parque Arauco
Shopping Parque Arauco

Na manhã seguinte, deixamos o carro no hotel e fomos de Uber até o centro de Santiago, mais precisamente na Plaza de Armas, onde iniciaria o Free Walking Tour que havíamos reservado.


Recomendo fazer o Free Walking Tour, pois com o guia você aprende muito sobre a história local e além disso, eles sempre dão dicas interessantes sobre a cidade.


Como o Free Walking Tour terminava próximo à Plaza de Armas, almoçamos por ali mesmo. Optei por experimentar comida peruana e gostei muito.


  • Sky Costanera e Costanera Center


Sky Costanera
Sky Costanera

À tarde, fomos ao imponente Sky Costanera, prédio mais alto América do Sul, já com a ideia de ficar por lá e assistir o pôr do sol.


Compramos o ingresso antecipado e para entrar você precisa passar por um Raio X.



No topo do Sky Costanera você encontra banheiros, lojas de souvenirs e também um bar com várias mesas espalhadas pelo saguão, onde você pode comer e beber algo enquanto espera o sol se pôr.


Dica: Quando for visitar o Sky Costanera, vá de carro e deixe estacionado no Costanera Center, que é o Shopping que fica na base do Sky Costanera.


  • Visita à Vinícola Concha Y Toro



A Concha Y Toro, que fica em Santiago, é uma das vinícolas mais respeitadas da América do Sul, com vários títulos de vinhos e muitos deles premiados.


Como neste dia faríamos degustação de vários vinhos (10 títulos no total), optamos por não ir de carro até lá e fomos com empresa Turistik, com embarque no início da tarde na Plaza de Armas.


Se você curte vinhos, vale muito a pena fazer a visitação. Há algumas modalidades diferentes de degustação e algumas são acompanhadas com queijos para harmonização.


  • Parada 5: Valparaíso (Chile): O Réveillon inesquecível nessa icônica cidade do Chile.

mapa do roteiro do brasil ao chile de carro
Roteiro de Santiago a Valparaíso, no Chile

Rodamos tanto até chegar ao Chile que a distância entre Santiago e Valparaíso é quase como ir "ali na esquina", ou seja, apenas 121 Km.


Na virada do ano, muita gente costuma sair de Santiago e cidades próximas para ir em direção à Valparaíso e Viña Del Mar, sabendo disso optamos por ficar 1 dia a menos na capital chilena para não rodar no dia da véspera e evitar possíveis engarrafamentos pelo caminho.


A viagem Santiago > Valparaíso foi bem tranquila e chegamos ainda pela manhã no hotel.


Algumas pessoas comentaram que em Valparaíso não é muito aconselhável deixar o carro estacionado na rua em função dos furtos, então optamos por deixar no hotel e sair a pé mesmo, ou utilizar algum aplicativo de mobilidade caso fosse necessário.


  • Como funciona o Trem entre Valparaíso e Viña Del Mar

mapa do roteiro do brasil ao chile de carro
Trecho de trem entre Valparaíso e Viña Del Mar, no Chile

Antes de almoçar, pegamos o trem, na estação do porto de Valparaíso e fomos até a estação Miramar, em Viña Del Mar. E lá, exploramos tudo a pé mesmo.


O trem é muito tranquilo de usar e o sistema de pagamento é igual ao de Londres, onde você passa diretamente o seu cartão de crédito e a catraca é liberada. Na saída da sua estação de destino, você passa o cartão de crédito novamente e depois o valor é debitado.


Lembre-se de possuir um cartão de crédito habilitado para transações internacionais.


  • Um pouco sobre Viña Del Mar


Viña Del Mar e Valparaíso são cidades com atmosferas diferentes, apesar de ficarem uma ao lado da outra.


Valparaíso, muito em função do porto, tem uma atmosfera mais parecida com uma cidade grande e você não consegue ter acesso fácil à praia, pois há os trilhos do trem e toda a estrutura de segurança impedindo, como grades e muros altos.


Viña Del Mar é uma cidade mais conservada e tem uma atmosfera realmente mais praiana, apesar de mesmo no verão o vento e a corrente que sobem das geleiras do polo sul pelo oceano pafícico tornarem a água fria e não muito convidativa para banhos. A areia da praia é um pouco mais grossa que o habitual, mas se você curte apenas ficar relaxando, olhando e ouvindo o mar, não vai se arrepender.


Uma boa opção também é caminhar pela orla.


Há vários restaurantes na cidade e alguns dos que valem a pena visitar, como o Cap Ducal e o Nogaró ficam de frente para o mar.


Me senti mais seguro em Viña Del Mar do que em Vaparaíso, apesar da minha visão sobre Valparaíso ter mudado um pouco depois que fizemos o Free Walking Tour.


  • Réveillon em Valparaíso

Queima de fogos em Valparaíso - Chile
Queima de fogos em Valparaíso - Chile

A cidade de Valparaíso é famosa pela sua queima de fogos de longa duração (cerca de 18 minutos).


Conseguimos ficar em um hotel com visão privilegiada, que após a ceia de ano novo, liberou o terraço para os hóspedes assistirem ao espetáculo da queima de fogos que tem início com alguns navios que estão na costa começando a buzinar.


Eles buziam por cerca de 30 segundos e logo depois os fogos começam a explodir de vários pontos do mar.


O hotel também serviu espumante no terraço e a visão era excelente e conseguíamos enxergar uma boa parte da orla de Valparaíso que naquele momento era ainda mais iluminada pelos fogos.


4. Como funcionam os Pedágios na Argentina e Chile


Cruzar três fronteiras de carro exige atenção ao sistema de cobrança de cada país, então preste atenção nas dicas abaixo.


Na Argentina: Já aceita cartão em muitas praças de pedágio, mas não todas.


A maioria dos pedágios nas Rutas argentinas (como a Ruta 14 e a Ruta 7) aceita cartões de crédito ou débito internacionais.


  • Dinheiro vivo (Efectivo): É indispensável ter pesos argentinos trocados. Se caso o seu cartão não funcionar por algum motivo, você pode pagar em espécie.

  • O "Pedágio Crítico": Como mencionei, o primeiro pedágio saindo de Santa Fé é rigoroso e só aceita espécie. Ficar sem pesos ali pode causar um transtorno, pois não há caixas eletrônicos por perto.

  • Dica Técnica: No meu roteiro esmiuçado, eu listei a localização de cada praça de pedágio e o valor exato que pagamos, para você já sair de casa, ou do hotel com o "bolo" de notas separado.


No Chile: Todos os pedágios que passei aceitavam cartão internacional.


O Chile possui um dos sistemas viários mais modernos da América do Sul, mas também um dos mais caros.


  • Sistema Misto: Em rodovias como a Ruta 60 (Los Caracoles) e a Ruta 68 (Santiago-Valparaíso), você encontrará praças de cobrança manual onde o pagamento é em Pesos Chilenos (CLP). PORÉM, nas rotas que passei, todos aceitavam cartão internacional.


5. O Que eu Gostaria de Saber Antes de Ir


  • O Segredo do IVA/VAT: Este é o maior segredo da viagem. No Chile, turistas brasileiros podem ter isenção de 19% de imposto em hotéis, mas a regra de pagamento é rígida (cartão internacional ou dólar espécie). Se pagar errado, você perde o dinheiro. Detalhei o passo a passo dessa economia no guia.


  • Cotas de Vinho: Você pode trazer até 12 litros de vinho por pessoa para o Brasil.


  • Postos de Gasolina Confiáveis: Há alguns trechos com pouca disponibilidade de postos e outros com muita, mas nem todos passam uma sensação de serem postos realmente confiáveis. Então, se você souber onde encontrar postos Shell, YPF ou Axion Energy já ajuda muito.

    Não que as bandeiras que citei sejam sinônimos de 100% de confiabilidade, mas já são melhores do que abastecer em postos de marcas desconhecidas.


4. Perrengues Que Evitei


  • Documentação Digital vs. Física: O susto que levei em Uruguaiana por não ter o documento impresso foi um aprendizado. A polícia caminera argentina pode ser muito rigorosa. No Ebook, eu conto quais foram as abordagens policiais que sofremos e como nos portamos.


  • O clima nos Andes: Mesmo no verão, o clima muda rápido dependendo da altitude que você está, então tenha sempre em mãos um casaco corta vento, se possível.


  • Água nos vidros: É inevitável não ficar batendo em insetos a viagem toda, ainda mais em uma viagem tão longa como essa. Seu pára brisa vai sujar com muita frequência, então não se esqueça de sempre abastecer o reservatório de água sempre que for abastecer o veículo.


6. Logística de Abastecimento (O receio de ficar sem combustível)


  • Existem "buracos" de postos na Ruta 127 e em partes do deserto chileno. Ficar sem gasolina Super ou Premium em trechos isolados é um risco real. No meu roteiro esmiuçado, eu deixei os links do Google Maps com os postos exatos onde a gasolina é confiável e onde o café é bom para descansar.


7. Seguros Obrigatórios


  • Seguro Carta Verde


Para circular nos países do Mercosul com o seu carro próprio ou alugado, esse seguro é obrigatório e você pode fazer diretamente com a seguradora com a qual você já tem o seu veículo assegurado, ou no caso de carro alugado, eles já vão embutir no valor do aluguel.


O valor dele varia muito de uma seguradora para outra e também vai depender de quantos dias você vai ficar rodando.


  • Seguro SOAPEX:


Como o Chile não faz parte do Mercosul, o seguro Carta Verde não é válido por lá. Então, você vai precisar fazer o SOAPEX.


Dica: Faça o seu SOAPEX diretamente com uma seguradora chilena, pois se fizer com empresas do Brasil, por exemplo, ele não terá validade no Chile. Eu fiz diretamente no site da HDI chilena e custou U$10.00 para os dias que fiquei por lá.


É bem fácil de fazer e com essa dica que passei, você não vai precisar buscar pessoalmente uma seguradora lá dentro do Chile.


8. Itens Obrigatórios


  • Extintor de incêndio


No Brasil não é mais obrigatório, mas na Argentina ainda é lei e você precisa portar o extintor e você encontra esse item de uma forma bem fácil em Marketplaces.


  • Cambão


Também precisei recorrer à internet para comprar um e levar. É o item mais caro de todos os obrigatórios.


  • Kit de primeiros socorros


Esse custa entre R$40,00 e R$60,00 reais e também é fácil de achar na internet.


  • Colete reflexivo


Outro item que você vai comprar e muito provavelmente nunca mais vai usar, mas que é obrigatório também.


  • Correntes para pneus.


Esse é um item que não levei por ter feito a viagem no verão, mas é obrigatório no Chile e você pode ser cobrado por isso caso seja abordado por algum policial mais rigoroso.



8. Vale a Pena Ir de Carro do Brasil até o Chile?


Isso depende muito da experiência que você quer ter. Para mim valeu muito a pena e foi uma experiência que você só vai saber vivendo na pele e conhecendo os lugares, a gastronomia, os costumes e as pessoas.


Mas se você, por exemplo, tem receio de pegar a estrada e não quer rodar tanto, ainda existe a opção de pegar um avião e desembarcar em Mendoza, na Argentina. Lá, você pode alugar um carro e fazer a rota entre Mendoza e Santiago.


O que achou da trip? 


Esta viagem foi a realização de um sonho, mas ela só foi tranquila porque planejei cada detalhe.


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